domingo, 14 de março de 2021

Estrela Vega pode hospedar um dos exoplanetas mais quentes já descobertos

Astrônomos descobriram novos indícios de um planeta gigante (e muito quente) orbitando Vega, estrela mais brilhante da constelação de Lira e a 5ª mais brilhante do céu noturno. A pesquisa que identificou o possível exoplaneta foi publicada no The Astronomical Journal, e foi liderada pelo estudante Spencer Hurt da Universidade do Colorado em Boulder (EUA).

A apenas 25 anos-luz de distância, Vega possui massa duas vezes maior que a do Sol. Sua distância e brilho a tornam uma excelente candidata para pesquisas. “É brilhante o suficiente para que você possa observá-la no crepúsculo, quando outras estrelas estão sendo escondidas pela luz solar”, explica o coautor do estudo, Samuel Quinn, astrônomo do Harvard and Smithsonian Center for Astrophysics (CfA).

Apesar disso, pesquisadores ainda não encontraram nenhum planeta em órbita ao redor de Veja – até agora. Com base em dados coletados em uma década de observações, Hurt, Quinn e seus colegas descobriram um sinal curioso que poderia ser o primeiro mundo conhecido da estrela.

Se ele realmente existir, este exoplaneta orbitaria tão perto de Vega que seus anos durariam menos de dois dias e meio terrestres. Para efeitos de comparação, o planeta mais próximo do nosso Sol, Mercúrio, leva 88 dias para completar uma órbita.

Também seria classificado como o segundo planeta mais quente conhecido pela ciência – com temperaturas de superfície em média 2.976 graus Celsius. O mais quente é KELT-9b, com temperatura média de 4.300°C.

Representação artística de KELT-9b, atualmente o exoplaneta conhecido mais quente. Imagem: Nasa/JPL-Caltech
A pesquisa ainda pode ajudar a identificar outros exoplanetas na vizinhança de Vega. “Este é um sistema massivo, muito maior do que nosso próprio sistema solar”, afirma Hurt. “Pode haver outros planetas em todo o sistema. É apenas uma questão de saber se podemos detectá-los”, completa.
Vega é uma estrela jovem, que gira em torno de seu eixo uma vez a cada 16 horas – muito mais rápido do que o Sol, com um período de rotação que chega 27 dias terrestres. Esse ritmo tão acelerado dificulta a coleta de dados sobre o movimento da estrela e, por extensão, quaisquer planetas em órbita.

Para encontrar exoplanetas no sistema, os pesquisadores tiveram que utilizar métodos diferentes dos tradicionais – em particular, a equipe estava procurando por sinais de oscilação na velocidade da estrela. “Se você tem um planeta ao redor de uma estrela, ele pode puxá-la, fazendo-a balançar para frente e para trás”, explica Quinn.

Os dados coletados pelos cientistas indicam que Vega pode hospedar o que os astrônomos chamam de “Netuno quente” ou talvez um “Júpiter quente”. “Teria pelo menos o tamanho de Netuno, potencialmente tão grande quanto Júpiter e estaria mais perto de Vega do que Mercúrio do sol”, disse Hurt.

A temperatura do planeta faria até mesmo o ferro se derreter em gás em sua atmosfera. Por isso, os pesquisadores agora examinarão o sistema diretamente para procurar a luz emitida por um planeta tão quente e brilhante. Mas a pesquisa terá que esperar até depois do lançamento do Telescópio Espacial James Webb da Nasa, que está programado para ser lançado em outubro próximo.

Fonte: Space.com e  Olhar Digital


 

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