segunda-feira, 15 de março de 2021

Descoberta origem dos raios cósmicos mais energéticos da Via Láctea

Imagem infravermelha da região Cocoon, que abriga o aglomerado Cygnus OB2, tirada com o Telescópio Espacial Spitzers, da Nasa, que foi desativado no ano passado (Foto: Divulgação/Binita Hona (HAWC Collaboration))

Um trio de cientistas dos Estados Unidos e do México acredita ter desvendado a origem dos raios cósmicos mais energéticos da Via Láctea, que bombardeiam a Terra diariamente com faixas de energia milhões de bilhões de vezes maiores do que a luz visível. Eles publicaram os resultados nesta quinta-feira (11), na revista Nature Astronomy.

Os pesquisadores descobriram que esses poderosos raios não vêm de supernovas – tal como antes se acreditava – mas de aglomerados de estrelas. Com isso, o estudo pode ter encerrado a discussão sobre a origem misteriosa dos raios, a qual astrofísicos tentam entender há mais de 60 anos.

A descoberta surpreendente ocorreu enquanto os cientistas realizavam experimentos em tanques de água de alta tecnologia, no Observatório Cherenkov, que investiga raios gama e cósmicos e fica em cima do vulcão Sierra Negra, em Puebla, no México.

Durante os experimentos, raios cósmicos foram flagrados atingindo a Terra com energia na casa da medida energética peta-elétron-volt (PeV), que é a maior de todas em fenômenos do tipo.

O mais interessante é que esse “poder” vinha de aglomerados de estrelas, como o Cygnus OB2, localizado na superbolha Cygnus Cocoon, a 5 mil anos-luz de distância do nosso planeta. Esse aglomerado em particular, de acordo com os pesquisadores, serve como uma espécie de acelerador de partículas  – provavelmente o mais poderoso da nossa galáxia, uma vez que origina os raios cósmicos mais energéticos.

Eles argumentam que os intensos campos magnéticos dentro de aglomerados como esse, produzidos por várias estrelas, aceleram partículas denominadas prótons por um longo tempo até se aproximarem da velocidade da luz. Quando os prótons colidem com gás, eles emitem energias até a medida PeV, que chegam à Terra.

Para analisar essa alta energia vinda dos aglomerados, a pesquisadora Kelly Malone, do Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México (EUA), desenvolveu algoritmos que foram essenciais para a pesquisa. "HAWC é o primeiro observatório a detectar raios gama vindos do céu com energias acima de 100 TeV. Esse alcance de alta energia nos permite responder a questões fundamentais sobre nossa galáxia", comenta Malone, em comunicado.

Fonte:Revista Galileu
 

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