terça-feira, 16 de março de 2021

As dinâmicas dunas de Marte

 À primeira vista, a cativante cena vista acima que mostra nuvens finas e um campo de dunas abaixo delas é uma reminiscência de uma visão de satélite de um dos desertos da Terra. Mas ela é, na verdade, uma bela paisagem de Marte.

© Campo de dunas no centro da cratera Lomonosov, no hemisfério norte de Marte: cena que bem poderia se...

Esse espetacular campo de dunas fica no centro da cratera Lomonosov, no hemisfério norte de Marte (65°N, 351°E). Foi fotografado pela câmera CaSSIS no ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO), das agências espaciais europeia (ESA) e russa (Roscosmos), em 2 de dezembro de 2020. A imagem foi tirada como parte de uma investigação para acompanhar a evolução do campo de dunas ao longo do ano.

Nessa época, o inverno estava chegando ao fim no hemisfério norte de Marte e a geada nessas áreas começava a sublimar. Os pontos mais escuros indicam áreas onde a geada foi sublimada e a areia basáltica mais escura é visível. As cristas das dunas indicam a direção média do vento. Neste caso, o vento vem predominantemente da parte inferior esquerda para a parte superior direita da imagem. À direita, são visíveis sedimentos mais escuros, mais ricos em basalto e isentos de gelo. Também à direita da imagem, nuvens brancas brilhantes se destacam contra os sedimentos mais escuros no solo.

Cinco anos de lançamento

A imagem foi divulgada por ocasião do quinto aniversário de lançamento da missão TGO. A sonda partiu do cosmódromo de Baikonur (Cazaquistão) em 14 de março de 2016, chegando a Marte sete meses depois. Ela passou vários meses fazendo aerofrenagem – usando o topo da atmosfera do planeta para criar arrasto e desaceleração – a fim de se tornar a primeira espaçonave da ESA usada para entrar em sua órbita científica dessa forma.

A missão iniciou as operações científicas completas em abril de 2018 com seu conjunto de quatro instrumentos. Os espectrômetros NOMAD e ACS do TGO são projetados para fornecer o melhor inventário dos gases atmosféricos do planeta. Eles já detectaram um novo gás – cloreto de hidrogênio – pela primeira vez. Também estudam os processos ligados ao escape de água atmosférica de maneira muito mais minuciosa.

O TGO também está contribuindo para o debate em torno da presença de metano no planeta, revelando uma surpreendente falta desse gás. O instrumento FREND está mapeando a distribuição de hidrogênio no metro superior da superfície do planeta, criando um mapa detalhado de possíveis oásis ricos em água, relevantes para a futura exploração de Marte.

A câmera CaSSIS capturou mais de 20 mil imagens documentando a superfície e complementando os dados retornados pelos outros instrumentos para ajudar a caracterizar características que podem estar relacionadas a fontes de gases traço.

O TGO também fornece retransmissão de dados de rotina para os landers e rovers da Nasa: Opportunity (até o final das operações em 2018), Curiosity, Insight e Perseverance. Será também o elo de comunicação para a segunda missão ESA-Roscosmos ExoMars, incluindo o rover Rosalind Franklin e a plataforma Kazachok, quando chegar a Marte em 2023.


Fonte:MSN e Revista Planeta



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