domingo, 7 de fevereiro de 2021

Quase 500 estrelas de corrente estelar na Via Láctea teriam nascido juntas

Batizada de Theia 456, uma das 8.292 correntes estelares recém-descobertas na Via Láctea apresenta padrões surpreendentes para a galáxia (Foto:NASA/JPL-Caltech/R. Hurt, SSC & Caltech)

Astrofísicos de instituições dos Estados Unidos e do Chile detectaram um fenômeno surpreendente em meio a uma das 8.292 correntes estelares recém-descobertas na Via Láctea batizadas de “Theia": todas as estrelas da Theia 456 nasceram juntas e estão se movendo na mesma direção.

O achado, apresentado em janeiro durante o 237º encontro da Sociedade Astronômica Americana (AAS), é resultado de um cruzamento de dados captados pelo telescópio Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA).

A descoberta chama a atenção porque, ao contrário dos aglomerados de estrelas, a maioria das correntes estelares não foi formada ao mesmo tempo. No caso da Theia 456, composta por 468 estrelas, outro ponto também impressionou os pesquisadores. “O que é empolgante sobre a Theia 456 é que não é um pequeno aglomerado de estrelas juntas. É longo e esticado”, explica Jeff Andrews, astrofísico da Universidade Northwestern que participou do estudo. “Há relativamente poucas correntes próximas, jovens e tão amplamente dispersas”, acrescenta, em nota.

À medida que as tecnologias para análise do Universo avançam, cientistas têm encontrado outros exemplos de padrões estelares que vão além dos aglomerados – conhecidos por seu formato esférico. Acredita-se, inclusive, que longas cadeias de estrelas podem ter sido aglomerados compactos que, com o tempo, se separaram e foram esticados pela força de marés.

Padrões muito distantes dos esféricos, no entanto, ainda são pouco frequentes nas descobertas sobre a Via Láctea, o que fez com que a corrente estelar Theia 456 quase passasse despercebida pelos pesquisadores. Mas esse cenário parece estar mudando. "Temos a tendência de focalizar nossos telescópios em outras direções [distantes da Via Láctea], porque é mais fácil encontrar coisas [como essa]", confessa Andrews. "Agora estamos começando a encontrar essas correntes na própria galáxia. É como encontrar uma agulha em um palheiro. Ou, neste caso, encontrar uma ondulação em um oceano", diz o astrofísico, em comunicado.

A identificação e o exame dessas estruturas também é um desafio para a ciência de dados. Para chegar às conclusões em torno da Theia 456, o grupo de astrofísicos desenvolveu algoritmos que conseguiram cruzar dados de conjuntos estelares da Via Láctea com catálogos pré-existentes de abundância de ferro em estrelas já documentadas. Daí viria o “eureka”: as 468 estrelas da Theia 456 tinham abundância de ferro semelhante, o que significava que elas provavelmente tinham se formado juntas – processo que teria acontecido cerca de 100 milhões de anos atrás.

Com o auxílio de dados do telescópop Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), da Nasa, e do Zwick Transient Facility, a equipe também conseguiu examinar as curvas de luz dessa corrente. Relacionado às taxas de rotação das estrelas, o equipamento revela como o brilho dessas estruturas muda ao longo do tempo. Além de compartilharem uma idade – e, provavelmente, uma origem – comum, o resultado mostrou que elas estavam se movendo juntas na mesma direção.

Esses achados, para Andrews, reforçam outro ponto que, se ausente, inviabilizaria o estudo: o uso da mineração de dados (data mining), que busca examinar grandes quantidades de informações para delas extrair padrões consistentes. “Você só pode ir até certo ponto com um conjunto de dados”, diz. "Quando você combina vários conjuntos de dados, tem uma noção muito mais rica do que está lá fora no céu."

Fonte:Revista galileu



 

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