quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Luas de Marte possuem ancestral comum – e uma já tem data para morrer

 Fobos e Deimos, as duas luas de Marte, intrigam os pesquisadores desde sua descoberta, em 1877. Elas são muito pequenas. O diâmetro de Fobos, 22 quilômetros, é 160 vezes menor que o da nossa Lua. O de Deimos é ainda menor: apenas 12 quilômetros. “Nossa Lua é essencialmente esférica, enquanto as luas de Marte têm formatos muito irregulares – como batatas”, diz Amirhossein Bagheri, doutorando no Instituto de Geofísica do ETH (Instituto Federal de Tecnologia) de Zurique (Suíça). Ele acrescenta: “Fobos e Deimos parecem mais asteroides do que luas naturais”.

© Concepção artística da colisão entre uma lua primordial marciana e um asteroide, que pode ter levado...

Isso levou as pessoas a suspeitarem que os dois corpos poderiam ser na verdade asteroides capturados no campo gravitacional de Marte. “Mas foi aí que os problemas começaram”, diz Bagheri. Os objetos capturados deveriam seguir uma órbita excêntrica ao redor do planeta, e essa órbita teria uma inclinação aleatória. Em contradição com essa hipótese, as órbitas das luas marcianas são quase circulares e movem-se no plano equatorial de Marte. Então, qual é a explicação para as órbitas atuais de Fobos e Deimos? Para resolver esse problema dinâmico, os pesquisadores confiaram em simulações de computador.

Passado calculado

“A ideia era rastrear as órbitas e suas mudanças no passado”, diz Amir Khan, cientista sênior do Instituto de Física da Universidade de Zurique e do Instituto de Geofísica da ETH Zurique. No final das contas, as órbitas de Fobos e Deimos pareciam ter se cruzado no passado. “Isso significa que as luas provavelmente estavam no mesmo lugar e, portanto, têm a mesma origem”, diz Khan.

Os pesquisadores concluíram que um corpo celeste maior orbitava Marte naquela época. Essa lua original foi provavelmente atingida por outro corpo e se desintegrou como resultado. “Fobos e Deimos são os restos dessa lua perdida”, diz Bagheri, o principal autor do estudo agora publicado na revista “Nature Astronomy”.

Embora fáceis de seguir, essas conclusões exigiram um extenso trabalho preliminar. Primeiramente, os pesquisadores tiveram de refinar a teoria existente que descreve a interação entre as luas e Marte. “Todos os corpos celestes exercem forças de maré uns sobre os outros”, explica Khan. Essas forças levam a uma forma de conversão de energia conhecida como dissipação, cuja escala depende do tamanho dos corpos, de sua composição interior e não menos das distâncias entre eles.

Órbitas rastreadas

Marte está sendo explorado pela missão InSight da Nasa, com o envolvimento do ETH Zurique: a eletrônica para o sismômetro da missão, que está registrando sismos marcianos e possivelmente impactos de meteoritos, foi construída no ETH. “Essas gravações nos permitem olhar dentro do Planeta Vermelho”, diz Khan. “Esses dados são usados ​​para restringir o modelo de Marte em nossos cálculos e a dissipação que ocorre dentro do planeta.”

Imagens e medições por outras sondas de Marte sugeriram que Fobos e Deimos são feitos de um material muito poroso. Com menos de 2 gramas por centímetro cúbico, sua densidade é muito menor do que a densidade média da Terra, que é 5,5 gramas por centímetro cúbico. “Há muitas cavidades dentro de Fobos, que podem conter gelo de água”, suspeita Khan. “É aí que as marés estão causando a dissipação de muita energia.”

Usando essas descobertas e sua teoria refinada sobre os efeitos das marés, os pesquisadores executaram centenas de simulações de computador para rastrear as órbitas das luas de volta no tempo até chegarem à interseção – o momento em que Fobos e Deimos nasceram. Dependendo da simulação, esse ponto no tempo está entre 1 bilhão e 2,7 bilhões de anos atrás. “O tempo exato depende das propriedades físicas de Fobos e Deimos, ou seja, quão porosos eles são”, diz Bagheri.

Uma sonda japonesa com lançamento previsto para 2025 irá explorar Fobos e devolver amostras à Terra. Os pesquisadores esperam que essas amostras forneçam os detalhes necessários sobre o interior das luas marcianas que permitirão cálculos mais precisos de sua origem.

O fim de Fobos

Outra coisa que seus cálculos mostram é que o ancestral comum de Fobos e Deimos estava mais longe de Marte do que Fobos está hoje. Embora Deimos, a lua menor, tenha permanecido nas proximidades de onde surgiu, as forças das marés estão fazendo com que Fobos, a maior, se aproxime de Marte – e esse processo está em andamento, como explicam os pesquisadores. Suas simulações de computador também mostram o desenvolvimento futuro das órbitas das luas. Parece que Deimos se afastará de Marte muito lentamente, assim como nossa Lua está se afastando lentamente da Terra. Fobos, entretanto, colidirá com Marte em menos de 40 milhões de anos ou será dilacerada pelas forças gravitacionais ao se aproximar de Marte.

Fonte:MSN e Revista Planeta



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