terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Descoberto o primeiro planeta semelhante a Júpiter sem nuvens

© Concepção artística do WASP-62b, o primeiro planeta semelhante a Júpiter detectado sem nuvens ou neb...

Uma equipe internacional de astrônomos detectou o primeiro planeta semelhante a Júpiter sem nuvens ou neblina em sua atmosfera observável. As descobertas foram publicadas este mês na revista “Astrophysical Journal Letters”.

Batizado de WASP-62b, o gigante gasoso foi detectado pela primeira vez em 2012 por meio da pesquisa Wide Angle Search for Planets (WASP) South. Sua atmosfera, entretanto, nunca havia sido estudada de perto até agora.

“Para minha tese, estive trabalhando na caracterização de exoplanetas”, disse Munazza Alam, pós-graduanda do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (EUA) que conduziu o estudo. “Pego planetas descobertos e os acompanho para caracterizar suas atmosferas.”

Conhecido como “Júpiter quente”, o WASP-62b está a 575 anos-luz de distância e tem cerca de metade da massa de Júpiter. No entanto, ao contrário do “nosso” Júpiter, que leva quase 12 anos para orbitar ao redor do Sol, o WASP-62b completa uma rotação em torno de sua estrela em apenas quatro dias e meio. Essa proximidade com a estrela o torna extremamente quente, daí o nome “Júpiter quente”.

Sódio e potássio

Usando o telescópio espacial Hubble, da Nasa/ESA, Alam registrou dados e observações do planeta usando espectroscopia, o estudo da radiação eletromagnética para ajudar a detectar elementos químicos. Ela monitorou especificamente o WASP-62b conforme o exoplaneta passava três vezes na frente de sua estrela hospedeira, fazendo observações de luz visível, que podem detectar a presença de sódio e potássio na atmosfera de um planeta.

“Admito que no início não fiquei muito entusiasmada com esse planeta”, diz Alam. “Mas quando comecei a analisar os dados, fiquei animada.”

Embora não houvesse evidência de potássio, a presença de sódio era notavelmente clara. A equipe conseguiu visualizar todas as linhas de absorção de sódio em seus dados, ou sua impressão digital completa. Nuvens ou neblina na atmosfera obscureceriam a assinatura completa do sódio, explica Alam, e os astrônomos geralmente só conseguem perceber pequenos indícios de sua presença.

“Essa é a prova de que estamos vendo uma atmosfera clara”, diz ela.

Raridades

Planetas sem nuvens são extremamente raros. Os astrônomos estimam que menos de 7% dos exoplanetas têm atmosferas claras, de acordo com pesquisas recentes. Por exemplo, o primeiro e único outro exoplaneta conhecido com uma atmosfera límpida foi descoberto em 2018. Chamado WASP-96b, é classificado como um Saturno quente.

Os astrônomos acreditam que estudar exoplanetas com atmosferas sem nuvens pode levar a uma melhor compreensão de como eles foram formados. Sua raridade “sugere que algo mais está acontecendo ou que eles se formaram de uma maneira diferente da maioria dos planetas”, diz Alam. Atmosferas claras também tornam mais fácil estudar a composição química dos planetas, o que pode ajudar a identificar do que um planeta é feito.

Com o lançamento do telescópio espacial James Webb, no final deste ano, a equipe espera ter novas oportunidades para estudar e entender melhor o WASP-62b. As tecnologias aprimoradas do telescópio, como maior resolução e melhor precisão, devem ajudar os astrônomos a sondar a atmosfera ainda mais perto para procurar a presença de mais elementos, como o silício.


Fonte:MSN e Revista Planeta


 

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