sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Detectado provável sinal de rádio proveniente de exoplaneta, diz estudo

 Ondas de rádio procedentes de um planeta gigante gasoso situado fora do sistema solar teriam sido detectadas pela primeira vez, destacando a presença de um campo magnético protetor, revela um estudo.

© L. Calçada Ilustração do exoplaneta Tau Bootis-b fornecida pelo Observatório Europeu Austral, em junho de 2012

O sinal foi observado através do radiotelescópio europeu LOFAR, uma rede de 50.000 antenas distribuídas por toda a Europa e que opera a baixa frequência, uma área de energia ainda pouco explorada.

A emissão provém de um sistema já conhecido, o Tau Bootis, situado a 50 anos-luz do sistema solar. Contém uma estrela dupla e um exoplaneta gigante gasoso que orbita perto: um "Júpiter quente", denominado Tau Bootis-b.

Até o momento conheciam-se a massa e a órbita de vários exoplanetas, mas não se tinham campo magnético. Este escudo, que protege das radiações dos ventos estelares, se encontra ao redor da Terra e de Júpiter.

No entanto, a emissão de rádio captada pelo LOFAR "é uma assinatura muito precisa do campo magnético", explicou à AFP Philippe Zarka, do Observatório de Paris, um dos principais autores do estudo publicado esta semana na Astronomy & Astrophysics.

Estas ondas são muito difíceis de detectar, pois os campos magnéticos costumam ser fracos e sua fonte de emissão, distante.

A equipe internacional de pesquisadores observou três sistemas extrassolares (Tau Bootis, 55 Cancri e Ups), que contêm gigantes gasosos que, por estar perto de sua estrela, são provavelmente emissores potentes.

Pegando como modelo o sinal de rádio de Júpiter, atenuado ao máximo, a análise de uma centenas de horas de observação apontou para a esperada assinatura de Tau Bootis.

"Há 98% de probabilidade de que o sinal seja confiável", comentou Philippe Zarka, destacando que persiste uma pequena dúvida sobre a possibilidade de que o sinal emane de sua estrela. "Para estar realmente seguros, faltaria 99,9% de probabilidade. Será preciso continuar com as observações, o que está ao nosso alcance", acrescentou o astrofísico.

Se for confirmada, esta "seria uma primícia que validaria a técnica de detecção de rádio e, portanto, um passo para a caracterização dos exoplanetas", ressaltou o pesquisador.

Cerca de 4.000 exoplanetas foram detectados desde a descoberta do primeiro, o 51 Pegasi-b, há 25 anos.

A existência de uma "bolha" magnética ao seu redor é um ingrediente propício ao desenvolvimento de uma forma de vida, segundo Philippe Zarka. Mas existem outros critérios, como a temperatura e, no caso de Tau Bootis-b, a sua seria alta demais para abrigar vida.


Fonte:AFP e MSN

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