terça-feira, 24 de novembro de 2020

Astrônomos descobrem "galáxia fóssil" nas profundezas da Via Láctea

Galáxia fóssil "Héracles" identificada entre as estrelas da Via Láctea (Foto: Danny Horta-Darrington)

Cientistas que trabalham no Apache Point Observatory Galactic Evolution Experiment (APOGEE) descobriram uma "galáxia fóssil" escondida nas profundezas da Via Láctea. A pesquisa, publicada na última sexta-feira (20) na revista Notices of the Royal Astronomical Society, pode trazer uma nova perspectiva sobre a formação do espaço

A galáxia, batizada de Héracles, pode ter colidido com a nossa galáxia há 10 bilhões de anos, segundo os pesquisadores. Seus resquícios representam cerca de um terço do halo esférico da Via Láctea, mas eles ainda não haviam sido descobertos devido à sua localização. 

"Para encontrar uma galáxia fóssil como esta, foi necessário observar a composição química detalhada e os movimentos de dezenas de milhares de estrelas", justifica Ricardo Schiavon, da Universidade John Moores de Liverpool, na Inglaterra, e membro da equipe, em nota. “Isso é especialmente difícil de fazer para estrelas no centro da Via Láctea, porque elas estão escondidas da vista por nuvens de poeira interestelar." 

A impressão de um artista de como a Via Láctea poderia ser vista de cima. Os anéis coloridos mostram a extensão aproximada da galáxia fóssil conhecida como Hércules. O ponto amarelo mostra a posição do sol. (Foto: Danny Horta-Darrington)

A impressão de um artista de como a Via Láctea poderia ser vista de cima. Os anéis coloridos mostram a extensão aproximada da galáxia fóssil conhecida como Héracles. O ponto amarelo mostra a posição do sol. (Foto: Danny Horta-Darrington)

O APOGEE é a ferramenta responsável por identificar espectros de estrelas na luz infravermelha próxima, que fica obscurecida pela poeira. Ao longo de sua vida observacional de dez anos, o aparelho mediu espectros para mais de meio milhão de estrelas em toda a Via Láctea, incluindo seu núcleo anteriormente obscurecido pela poeira.

O estudante Danny Horta, principal autor do artigo, explica que "examinar um número tão grande de estrelas é necessário para encontrar estrelas incomuns no coração densamente povoado da Via Láctea, que é como encontrar agulhas em um palheiro."

"Das dezenas de milhares de estrelas que observamos, algumas centenas tinham composições químicas e velocidades surpreendentemente diferentes", afirma Horta. "Essas estrelas são tão diferentes que só poderiam ter vindo de outra galáxia. Estudando-as em detalhes, pudemos traçar a localização precisa e a história dessa galáxia fóssil."


Fonte:Revista Galileu



 

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