sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Estudo desvenda mistério de explosões rápidas de rádio na Via Láctea

Desde que as explosões rápidas de rádio (FRBs) foram descobertas, em 2007, a sua origem é um dos mistérios que mais intriga os astrônomos. As explosões são ondas de rádio extremamente poderosas que ocorrem em galáxias a milhões de anos-luz de distância, chegando a descarregar energia de centenas de milhões de sóis e duram apenas milissegundos. Agora, um evento que aconteceu em uma estrela morta a 14.350 anos-luz de distância pode ter ajudado a desvendar o mistério.

No início deste ano, um magnetar, chamado SGR 1935 + 2154, emitindo uma explosão de milissegundos de ondas de rádio foi registrado por instrumentos no mundo todo. “Esta é a primeira conexão observacional entre magnetares e ondas de explosões rápidas”, afirmou o astrofísico Sandro Mereghetti, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália. “É realmente uma grande descoberta e ajuda a focar a origem desses fenômenos misteriosos”, acrescentou.

Os magnetares são um tipo de estrela de nêutrons com campos magnéticos extremamente poderosos, que têm um efeito estranho. Como a gravidade aplica uma força interna que mantém a estrela unida, o campo magnético puxa para fora, distorcendo a forma do astro. As duas forças opostas criam uma tensão que podem resultar em grandes terremotos, que geralmente produzem raios X e gama. Muito raramente, eles têm emitidos ondas de rádio.

Magnetares

O evento do SGR 1935 + 2154 chamou a atenção dos astrônomos em abril. Depois de se iniciar como uma explosão magnetar padrão, em 28 de abril aconteceu algo sem precedentes. Uma explosão de rádio muito brilhante foi detectada. O evento chegou até a não ser quantificado pelo Canadian Experiment Intensity Mapping Experiment, responsável pela descoberta de muitos FRBs.

ReproduçãoMagnetares podem ser uma das explicações para as explosões rápidas de rádio. Foto: NASA/CXC/University of Amsterdam/N
A dificuldade de detectá-lo foi por conta de sua proximidade. “A maioria dos satélites envolvidos no estudo colaborativo deste evento não conseguiu medir sua posição no céu, e isso foi crucial para identificar que as emissões realmente vieram da SGR 1935 + 2154”, destacou Volodymyr Savchenco, astrofísico da Universidade de Genebra.
A explosão, apesar de ter muitas características das FRBs extragalácticas, possuía uma contraparte de raios X, algo não visto nas outras. Isso pode significar que as explosões são mais complexas do que o imaginado, emitindo vários tipos de radiação abaixo do limite de detecção.
Apesar da um sinal convincente a favor da origem magnetar das FRBs, ainda não é possível concluir que esta seja realmente a resposta definitiva. É possível que haja outras fontes, principalmente poque alguns sinais se comportam de formas muito diferentes. Porém, este é um caminho para poder estudar tanto as FRBs quanto os magnetares, e há ainda muito o que saber sobre os eventos.

Fonte:Olhar Digital e  Live Science

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