quarta-feira, 29 de julho de 2020

Astrônomos descobrem raro tipo de aglomerado de estrelas na Via Láctea

Novo tipo de aglomerado de estrelas é descoberto na Via Láctea (Foto: Geraint F. Lewis and the S5 collaboration)


Astrônomos de instituições australianas, norte-americanas e europeias descobriram uma corrente estelar formada pelos "destroços" de um aglomerado globular de estrelas que foi destruído pela gravidade da Via Láctea há 2 bilhões de anos. O achado, divulgado em artigo publicado nesta quarta-feira (29) na Nature , é resultado de estudos acerca da composição química da constelação Fênix.

Nossa galáxia é composta por cerca de 150 aglomerados globulares, conjuntos compostos por milhões de estrelas que permanecem ligadas por conta da gravidade e orbitam o núcleo galáctico, formando uma "auréola" ao seu redor. Outros conjuntos do tipo já foram observados pos cientistas, mas nenhum deles mostrou um "ciclo de vida" parecido com o descoberto recentemente.

Segundo os parâmetros atuais, a metalicidade (proporção de elementos mais massivos que o hélio) das estrelas cresce com o passar do tempo — e por isso acredita-se que, quando são formados, os aglomerados globulares apresentam um mínimo de metais pesados. Observando a composição química da corrente de Fênix, entretanto, os pesquisadores descobriram que sua metalicidade é muito menor do que a esperada.
"Ficamos realmente surpresos ao descobrir que a corrente de Fênix é distintamente diferente de todos os outros aglomerados globulares da Via Láctea", explicou Zhen Wan, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade de Sydney, na Austrália, em comunicado. "Embora o aglomerado tenha sido destruído bilhões de anos atrás, ainda podemos dizer que ele se formou no início do universo."

Ilustração mostra corrente de Fênix rodeando a Via Láctea (Foto: James Josephides (Swinburne Astronomy Productions) and the S5 Collaboration)
Ilustração mostra corrente de Fênix rodeando a Via Láctea (Foto: James Josephides (Swinburne Astronomy Productions) and the S5 Collaboration)

O estudo coloca em xeque as teorias anteriores que descrevem como nascem os aglomerados globulares. De acordo com Ting Li, coautora do artigo e cientista do Instituto Carnegie para Ciência, nos Estados Unidos, uma explicação possível para o fenômeno é que a corrente de Fênix representa "a última de seu tipo", ou seja, faz parte de uma classe de aglomerados globulares que não existe mais.
Os pesquisadores teorizam que, provavelmente, outros exemplares deste tipo de aglomerado foram destroçados pelas forças gravitacionais da Via Láctea muito tempo atrás. "Ainda há muito trabalho teórico a ser feito e agora existem muitas novas perguntas para explorar sobre como as galáxias e os aglomerados globulares se formam", ponderou Geraint Lewis, também coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Sydney.

Fonte:Revista Galileu


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