quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Motorista que matou médica no DF enviou mensagens à filha da vítima após o crime, diz polícia

Por Samyra Galvão e Luísa Doyle

Motorista particular é apontado pela Polícia Civil como o responsável pelo sequestro e morte de médica no Distrito Federal  — Foto: TV Globo/Reprodução
Motorista particular é apontado pela Polícia Civil como o responsável pelo sequestro e morte de médica no Distrito Federal — Foto: TV Globo/Reprodução
O motorista apontado pela Polícia Civil do Distrito Federal como responsável pela morte da ex-diretora do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), Gabriela Cunha, chegou a mandar mensagens para a filha da vítima após o crime.
O assassinato ocorreu em 24 de outubro do ano passado, quando Rafael Henrique Dutra, 32, era motorista particular de Gabriela Cunha. Detido pela Divisão de Repressão a Sequestros nesta segunda-feira (28), ele confessou o crime.
Para não levantar suspeitas, depois do crime, Rafael ficou com o celular de Gabriela e passou a se comunicar com a família da médica. As mensagens diziam que ela "estava internada em uma clínica de repouso para tratar de problemas pessoais, e retornaria no Natal".
Além desses textos, a família da servidora contou que Rafael enviou mensagens à filha da médica, pelo WhatsApp, se passando por ela e dizendo que amava a menina.
O motorista enviou, ainda, mensagens do próprio celular para os familiares da vítima, como se estivesse em contato com ela. Em uma das conversas, em dezembro, ele disse ao ex-marido de Gabriela Cunha que tinha falado com a médica, e que ela pedia notícias da filha (veja diálogo abaixo).
Motorista que matou médica no DF enviou mensagens para família da vítima depois do crime  — Foto: TV Globo/ReproduçãoMotorista que matou médica no DF enviou mensagens para família da vítima depois do crime  — Foto: TV Globo/Reprodução
Motorista que matou médica no DF enviou mensagens para família da vítima depois do crime — Foto: TV Globo/Reprodução
O motorista também enviou mensagens para servidores da Secretaria de Saúde do DF. Em 28 de dezembro, após um funcionário do HRT dizer que precisava falar "urgente" com a Gabriela, Rafael enviou as seguintes frases:

Motorista que matou médica no DF enviou mensagens para servidores da Secretaria de Saúde depois do crime  — Foto: Arquivo pessoal
Motorista que matou médica no DF enviou mensagens para servidores da Secretaria de Saúde depois do crime — Foto: Arquivo pessoal

Nota de pesar

Em nota, a Secretaria de Saúde apontou que Superintendência da Região de Saúde Sudoeste abriu processo administrativo em dezembro de 2018 para apurar a ausência da servidora, que compareceu, pela última vez ao trabalho, em 24 de outubro. O pagamento foi bloqueado no mesmo mês em que o processo foi aberto.
A pasta também manifestou "profundo pesar pelo falecimento da servidora". De acordo com a secretaria, a médica era especialista em cirurgia-geral e dirigiu o Hospital Regional de Taguatinga entre 6 de março e 24 de outubro de 2018, quando desapareceu.
"A profissional, que era muito dedicada ao serviço, ingressou na Secretaria de Saúde do Distrito Federal em 10 de janeiro de 2006 e, na maior parte da carreira, atuou no Hospital Regional de Ceilândia", diz o texto.

Erros de português

Inicialmente, o desaparecimento de Gabriela não despertou desconfiança da família porque ela já tinha ficado internada, em anos anteriores, para tratar de depressão.
Em 27 de dezembro, no entanto, a família decidiu registrar um boletim de ocorrência informando o desparecimento de Gabriela. Os parentes da vítima começaram a perceber erros de português nas mensagens enviadas e a desconfiar da situação, já que o retorno após o Natal não tinha acontecido.
Após um mês do registro da ocorrência, os investigadores conseguiram juntar as provas contra Rafael.
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Diretora do HRT é morta por motorista particular

R$ 200 mil roubados

Nos dois meses em que se passou por Gabriela, o motorista movimentou cerca de R$ 200 mil da conta bancária da vítima. Ao longo desse período, Rafael também usou os veículos da médica e adquiriu outros dois automóveis.
O delegado da Divisão de Repressão a Sequestros, Leandro Ritt, explicou que o motorista conseguiu roubar toda essa quantia porque Gabriela, por causa da vida atribulada, acabou dando uma procuração de plenos poderes ao motorista – permitindo que ele fizesse pagamentos e assinasse documentos no nome da médica.
"Durante dois anos, atuou como motorista e também como gerente das suas contas pessoais, questão de imóveis, contas bancárias. Ele tinha uma procuração com plenos poderes. A partir do segundo semestre de 2018, alertada por um namorado, Gabriela tirou esses poderes e recolheu a procuração."
A médica Gabriela Cunha foi morta pelo motorista particular no Distrito Federal  — Foto: Facebook/ReproduçãoA médica Gabriela Cunha foi morta pelo motorista particular no Distrito Federal  — Foto: Facebook/Reprodução
A médica Gabriela Cunha foi morta pelo motorista particular no Distrito Federal — Foto: Facebook/Reprodução
Segundo a polícia, no período em que teve essa procuração, Rafael retirava mensalmente R$ 1,5 mil da conta da médica. Com a procuração desfeita, “iniciou-se o processo na mente dele de matá-la para se apropriar dos seus bens”, apontou Ritt.

Prisão

Ao ser preso na segunda-feira (28), o motorista levou os policiais ao local onde estava a ossada de Gabriela. Ele contou que teve ajuda de um comparsa .
Rafael vai responder por latrocínio, ocultação de cadáver e furto mediante fraude.

Fonte:G1

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