quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Moradores do Morro do Baú reconstroem suas vidas após desastre de 2008

Os moradores da localidade do Morro do Baú, em Ilhota, no Vale do Itajaí, tentam superar a morte de parentes e a destruição de casas causadas pelos deslizamentos de 2008. Dez anos depois, eles reconstroem edificações e suas vidas. "É uma continuidade daqueles que já foram", resumiu Tatiana Reichert, que perdeu 14 parentes no desastre.

Lavoura de bananas

Os deslizamentos destruíram quase toda a plantação de bananas da família. "Eu parei e disse para a mulher 'vamos começar de novo'. É o que a gente sabe fazer e fez a vida toda", afirmou Roberto Reichert, marido de Tatiana.
A mata retomou o seu espaço e a lavoura de bananas da família reichert está a todo vapor. "A gente aprende a viver com isso, com essa dor no dia dia. Mas se reconstruir e se manter no lugar, isso traz um alento muito grande. É uma continuidade daqueles que já foram. E isso a gente conseguiu na graça de Deus", resumiu Tatiana.

Reconstrução de propriedade

De 2008 até agora, o verde foi cobrindo a lama e o mato escondeu as marcas dos deslizamentos. E cada família do Baú teve que escrever uma longa história de superação.
Há 10 anos, o barro levou a propriedade da família Kremer. Eles precisaram trabalhar duro para recuperar toda a área e a casa.
"Era um sonho do meu pai ver isso aqui reconstruído depois de tudo o que aconteceu em 2008. E, com muita força, muito trabalho, conseguimos chegar onde estamos hoje", afirmou Adriano Kremer.
"Eu queria assim, ver tudo de novo reformado, tudo plantado com verde, e consegui", afirmou o agricultor Evaldo Kremer, pai de Adriano.
Ainda hoje a família está pagando o empréstimo que ajudou a reerguer a fábrica de caixas para o transporte de bananas.

Novas famílias

Todos tiveram perdas, mas elas não foram iguais. O caminhoneiro Zaíro Zabel levou 33 dias para encontrar os corpos da mãe, da mulher, dos dois filhos e de uma sobrinha.

"Depois que a gente colocou todo mundo no devido lugar, passando o luto, eu comecei a pensar comigo mesmo. Eu tinha que mostrar pras pessoas que a reconstrução existe. Eu tinha que continuar", afirmou o caminhoneiro.
Záiro casou com outra mulher, Maria Helena, e é pai do Heitor, de 7 anos. A família está construindo uma casa. "É um símbolo forte. É um símbolo de reconstrução, né? De uma vida. De uma história. De duas histórias, na verdade. A nossa e a dele", disse a esposa.
As histórias de Juliano Schambach e Valquíria Rinco também se cruzaram. Ele perdeu a mulher e a filha. O corpo da menina nunca foi encontrado.
Valquíria achou a manta que o bebê usava no dia do desastre. "Eu tentei amenizar a dor deste pai. Eu achei que ia ser importante pra vida dele, foi um gesto de carinho e eu acredito que seja isso que acabou aproximando a gente", disse ela.
Tanto que acabaram casando e hoje eles têm uma filha, Júlia. "Eu acho que venci. Venci, estou tocando a vida, tenho uma nova família. Tem a Júlia, de 7 anos, que é tudo pra mim", disse Juliano.

Enchentes de 2008 no Vale do Itajaí

As enchentes de 2008 foram a maior catástrofe natural da história de Santa Catarina. Foram três meses com chuva forte e várias vezes fraca, mas suficientes pra deixar o solo encharcado.
Foram afetadas 60 cidades e atingidas 1,5 milhão de pessoas. Dessas, 9.390 ficaram desalojadas. Houve 135 mortes.
Só no fim de semana dos dias 22 e 23 de novembro de 2008, foi quatro vezes mais que o esperado para novembro inteiro. O Rio Itajaí-Açú subiu e os morros desceram, como se estivessem derretendo.
Algumas regiões receberam chuva o equivalente a mil litros de água por metro cúbico. Isso equivale a um metro de altura de água.

Fonte:G1

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