segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Polícia Federal investiga autoria de frase com ameaça a negros em universidade de Santa Maria

Mensagem de cunho racista foi escrita na tampa de um vaso sanitário de banheiro feminino da UFSM — Foto: Divulgação/Assessoria de Imprensa da UFSM
Mensagem de cunho racista foi escrita na tampa de um vaso sanitário de banheiro feminino da UFSM — Foto: Divulgação/Assessoria de Imprensa da UFSM


A Polícia Federal (PF) tenta identificar o responsável por escrever uma frase com ameaça de morte a negros em um banheiro feminino da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na Região Central do Rio Grande do Sul. Em letras pretas, os dizeres "Esses pretos fedidos vão morrer" foram escritos na parte interna da tampa de um vaso sanitário, junto ao desenho de uma suástica e da hashtag "b17", que faria referência ao presidente eleito, Jair Bolsonaro.

A denúncia foi feita na sexta-feira (26) por professores da instituição, que se depararam com a frase no Colégio Politécnico da universidade.
De acordo com a PF, a tampa foi apreendida nesta segunda (29) e será periciada. A intenção da polícia é encontrar digitais que possam ajudar na identificação de um suspeito. Uma vez identificado, será feito um exame grafotécnico para comparar a letra.
Além disso, a PF já está com imagens de câmeras de segurança do campus, que estão sendo analisadas e que também podem auxiliar na identificação da autoria do crime. A polícia já tem uma ideia do horário em que a frase pode ter sido escrita, uma vez que a funcionária que faz a limpeza do banheiro relatou que, na última vez em que esteve no local, a frase ainda não estava lá.
Conforme a polícia, o responsável por escrever a frase pode responder por injúria racial ou crime de racismo, dependendo da intenção do autor.

Nota oficial

A Universidade Federal de Santa Maria lamenta profundamente o episódio registrado no dia 26 do corrente, em um dos banheiros da instituição, onde foram encontradas inscrições racistas. A instituição declara a toda a comunidade que repudia veementemente qualquer forma de discriminação e intolerância. Racismo e apologia ao nazismo constituem crimes, e o caso já está sendo investigado pela Polícia Federal.

A UFSM está dando todo o suporte à PF no sentido de colaborar para com a investigação e a identificação dos responsáveis pelo barbarismo registrado. Também estão sendo buscadas possíveis imagens de câmeras de segurança dos corredores nas imediações do banheiro onde foi registrado o fato. Uma vez identificada a autoria, será instaurado inquérito administrativo para a punição dos envolvidos, caso possuam vínculo com a instituição.

Outros casos na UFSM

Pichações foram feitas em paredes de diretório acadêmico do curso de direito da Universidade Federal de Santa Maria — Foto: Reprodução/RBS TVPichações foram feitas em paredes de diretório acadêmico do curso de direito da Universidade Federal de Santa Maria — Foto: Reprodução/RBS TV
Pichações foram feitas em paredes de diretório acadêmico do curso de direito da Universidade Federal de Santa Maria — Foto: Reprodução/RBS TV
Essa não é a primeira vez que ofensas de cunho racista ocorrem dentro da UFSM. Há pouco mais de duas semanas, estudantes foram chamados de "negros sujos" dentro da mesma universidade. Neste caso, o suspeito foi identificado pela polícia e vai responder por injúria racial.
Em setembro de 2017, frases como 'o lugar de vocês é no tronco' e 'fora negros' foram escritas em paredes do Diretório Livre Acadêmico do Direito da universidade. Revoltados com a situação, na época, estudantes realizaram uma mobilização com cartazes contra o preconceito.
Em novembro, do mesmo ano, mensagens racistas foram escritas nas paredes de uma sala do curso de Ciências Sociais da UFSM. As ofensas foram endereçadas a três alunos. Outras frases foram percebidas no local: "Fora macacos" e "Brancos no topo", além do desenho de uma suástica. Dias depois, alunos ocuparam a reitoria em protesto contra as pichações, pedindo que a reitoria adotesse medidas ligadas às manifestações racistas e de apologia ao nazismo.

Em julho deste ano, a universidade aprovou novo código de condutaapós casos de racismo. O documento apresenta medidas e punições contra alunos infratores, como advertências, repreensão por escrito e suspensão das aulas por um prazo que pode variar de três a 90 dias, podendo chegar até mesmo ao desligamento da instituição.
O documento aprovado divide os tipos de infração em leve (com aplicação de advertência), média (com advertência ou repreensão), grave (com suspensão máxima de 45 dias) e gravíssima (cabível de suspensão ou o desligamento da instituição).


Fonte:G1

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