segunda-feira, 11 de junho de 2018

Suspeito de agredir e matar ex no DF segue internado em estado grave, diz polícia

Por Marília Marques

Tauane Morais foi morta pelo ex-namorado Vinícius Rodrigues de Sousa no Distrito Federal (Foto: Arquivo pessoal)
Tauane Morais foi morta pelo ex-namorado Vinícius Rodrigues de Sousa no Distrito Federal (Foto: Arquivo pessoal)
O homem suspeito de matar a ex-namorada e, em seguida, tentar suicídio segue internado em grave no Distrito Federal. Vinicius Rodrigues de Sousa está em observação na UTI desde o dia do crime. Nesta segunda-feira (11), segundo a Polícia Civil, o quadro seguia inalterado.
Na última quarta (24), o rapaz de 24 anos esfaqueou Tauane Morais, de 23. Ele está preso em flagrante, sob escolta de policiais, no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). A vítima era operadora de caixa e morava em Samambaia Norte.

O casal tinha um relacionamento de quatro anos, e dois filhos. Segundo as investigações, em um intervalo de três dias, Vinícius agrediu a ex-companheira, foi preso, solto na audiência de custódia e depois voltou para matá-la. Ele estaria "inconformado com o término do relacionamento".
Ao portal G1, o delegado que investiga o caso, Eduardo Galvão, disse que a polícia espera o resultado do laudo pericial da casa onde ocorreu o crime e a liberação da guia de atendimento médico do suspeito. O inquérito deve ser enviado para o Ministério Público do DF até o fim de junho (entenda abaixo).
O corpo de Tauane foi levado para o Piauí. O enterro foi na sexta (8), ao lado de familiares e amigos. Os filhos do casal, um menino de 3 anos e uma menina de 4, estão sob os cuidados dos tios, em Brasília.
Feminicídio em Samambaia

Relembre o caso

Em depoimento à Polícia Civil, ainda no domingo (3) – dia em que foi agredida com socos e enforcada pelo ex-namorado – Tauane disse que a situação já tinha ocorrido outras vezes, mas nunca denunciou.
"Ela dizia que ele era muito ciumento, que vinha a agredindo a algum tempo, mas nunca falou nada. Foi aí que decidiu terminar o relacionamento", explicou o delegado Galvão.
À polícia, naquele dia, ela também contou que o ex-namorado chegou a pegar um punhal e rasgar as cortinas da casa, quebrar móveis, a geladeira e a televisão da família. Mesmo com o flagrante, no dia seguinte, o homem foi liberado em uma audiência de custódia.

Na Justiça...

Inicialmente, o juiz Aragonê Nunes Fernandes, que analisou o caso, entendeu que a medida protetiva concedida pela Justiça à Tauane era "suficiente" para manter o agressor longe da vítima e "preservar a integridade física" dela.
Um dia após a morte dela, o magistrado disse "não ter bola de cristal" para prever ameaças que poderiam se concretizar. Ele é o mesmo autor da decisão que mandou soltar o suspeito, três dias antes do crime.
"Por não termos 'bola de cristal', não temos como prever aqueles que realmente concretizarão as ameaças que fazem. Prender a todos, indistintamente, não parece ser o melhor caminho a seguir."

Novos passos

Como Vinícius segue internado em estado grave, o portal G1 conversou com o delegado sobre o desenrolar desse tipo de investigação – quando o suspeito não pode ser detido ou ouvido.
Segundo Galvão, a Polícia Civil tem até o fim do mês para concluir o inquérito e enviar as conclusões ao Ministério Público. Se o suspeito morrer nesse intervalo, o documento da investigação será transformado em um processo na Justiça e, por consequência, extinto.
Por outro lado, se houver melhora no estado de saúde, Vinícius vai responder ao processo preso. Se comprovada a autoria no crime, a pena prevista é de 12 a 30 anos de prisão. O caso está sendo investigado como feminicídio.

.
Foto conceitual chama atenção para o aumento da violência doméstica (Foto: Alexas_Fotos/Creative Commons)Foto conceitual chama atenção para o aumento da violência doméstica (Foto: Alexas_Fotos/Creative Commons)
Foto conceitual chama atenção para o aumento da violência doméstica (Foto: Alexas_Fotos/Creative Commons)

Feminicídio no DF

Em apenas cinco meses, entre janeiro e maio deste ano, o Distrito Federal contabilizou 13 assassinatos investigados como feminicídio. O termo se refere aos crimes contra a vida de mulheres, praticados em função do gênero.
O número é 30% maior que os 10 casos registrados no mesmo período de 2017. Os dados da Secretaria de Segurança Pública, responsável pela elaboração das estatísticas mensais de crimes na capital.
O balanço divulgado na última sexta (8) informava apenas o número geral de assassinatos 
Nas tabelas gerais de homicídios, o índice cresceu 22,6% na comparação entre maio de 2017 e maio de 2018, passando de 31 para 38 casos. No acumulado do ano, o número caiu 4,8% – foram 210 mortes violentas no começo de 2017, e 200 neste ano.
O feminicídio entra no registro criminal como um qualificador, assim como motivo fútil, uso de veneno, emboscada ou outra motivação de ódio, por exemplo. O homicídio qualificado é crime hediondo e, por isso, o acusado não tem direito a pagar fiança ou receber liberdade provisória.

Fonte:G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Arquivo do blog