quinta-feira, 23 de maio de 2019

Dono de escravos ou ativista anti-escravidão? A polêmica em torno da nota de 20 dólares

Planos para divulgar uma nova nota de 20 dólares têm sido adiados há quase uma década, disse o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Munchin, nesta quarta (22). — Foto: Chris Taylor / Department of Treasury / AFP
Planos para divulgar uma nova nota de 20 dólares têm sido adiados há quase uma década, disse o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Munchin, nesta quarta (22). — Foto: Chris Taylor / Department of Treasury / AFP
Um novo desenho da nota de US$ 20, que trará um retrato da ativista americana anti-escravidão Harriet Tubman, estava previsto para entrar em vigor no ano que vem, mas será adiado até 2028, afirmou o secretário de Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, nesta quarta-feira (22/5).
Tubman, que escapou da escravidão e ajudou outros negros escravizados a fazerem o mesmo, havia sido escolhida em uma enquete conduzida durante o governo Barack Obama, em 2016, para substituir na frente da nota de US$ 20 a figura de Andrew Jackson, ex-presidente dos EUA e na época dono de escravos.
Ao explicar o adiamento na mudança, o secretário Mnuchin deu poucos detalhes - apenas afirmou que a prioridade no redesenho são "as questões de falsificação", e por isso "a nova nota de US$ 20 não virá antes de 2028". Mnuchin afirmou, porém, que antes disso o Tesouro americano vai lançar novas notas de US$ 10 e US$ 50. Ele não quis comentar se concordava ou não com a imagem de Tubman na nota.
Durante a campanha eleitoral, Donald Trumpexpressou admiração pelo ex-presidente Andrew Jackson e afirmou que o plano de substituí-lo por Tubman era algo "puramente politicamente correto", sugerindo que a ativista - que chamou de "fantástica" - fosse retratada na nota de US$ 2, que não está mais em circulação.

 O general Jackson, que foi presidente dos EUA entre 1829 e 1837 e defendia a escravidão, figura na nota de US$ 20 desde 1928.
Durante sua Presidência ocorreu o início da expulsão de indígenas nativos americanos de suas terras no sul dos EUA, resultando em milhares de mortes por fome e doenças, explica a agência France Presse.
Além disso, Jackson liderou a invasão de região da Flórida para destruir o chamado "Forte Negro", uma antiga fortaleza britânica onde cerca de 800 negros fugitivos se abrigavam. Muitos deles foram mortos e os que sobreviveram foram levados de volta à escravidão.
Ao mesmo tempo, Jackson se tornou um herói nacional por comandar uma batalha militar vitoriosa contra os britânicos no sul dos EUA, em 1815.
Alguns historiadores dizem que Jackson e Trump têm em comum o estilo populista, de governar estimulando o "nós contra eles".
Trump, por sua vez, se disse "fã" de Jackson e da "grande figura política" do ex-presidente.

Harriet Tubman

Na foto, de 2016, o então secretário do Tesouro, Jacob Lew, olha para uma representação de Harriet Tubman em Washington.  — Foto: Chris Taylor / Department of Treasury / AFPNa foto, de 2016, o então secretário do Tesouro, Jacob Lew, olha para uma representação de Harriet Tubman em Washington.  — Foto: Chris Taylor / Department of Treasury / AFP
Na foto, de 2016, o então secretário do Tesouro, Jacob Lew, olha para uma representação de Harriet Tubman em Washington. — Foto: Chris Taylor / Department of Treasury / AFP
Do outro lado da história está Harriet Tubman, nascida escrava nos anos 1820, mas que conseguiu fugir de seus "donos" quando tinha cerca de 27 anos. Segundo a fundação que leva seu nome, na década seguinte ela ajudaria mais de 300 escravos a obter liberdade, guiando-os pelos chamados "Trilhos Subterrâneos" - que na verdade eram uma rede de rotas e abrigos para negros.
Após o fim da escravidão nos EUA, Tubman tornou-se uma figura humanitária. "Ela arrecadou dinheiro para abrir escolas para afro-americanos e fez discursos sobre os direitos femininos", diz a fundação Harriet Tubman.
A escolha de sua foto para substituir a de Jackson, em 2016, deu-se depois de meses de debate público, no qual decidiu-se que Tubman ficaria na dianteira da nota de US$ 20 e o ex-presidente, na parte de trás.
Na época, o então secretário do Tesouro Jacob Lew afirmou que a ativista negra era "não apenas uma figura histórica, mas também um modelo de liderança e participação na democracia". Ela será a primeira mulher a aparecer em notas de dólares americanos em mais de um século.
Antes dela, figuraram nas notas a ex-primeira-dama Martha Washington, que ilustrou a de US$ 1 entre 1891 a 1896, e a indígena Pocahontas, que era uma das pessoas retratadas em uma cena que ilustrou a nota de US$ 20 entre 1865 e 1869.


Fonte:G1 e BBC News Brasil

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