sexta-feira, 29 de junho de 2018

Advogada morta em assalto recebe título póstumo de mestrado após amigo apresentar a dissertação dela, em Goiânia

Por Sílvio Túlio, Vitor Santana e Raquel Morais



A advogada Laís Fernanda Araújo Silva, morta aos 30 anos durante um assalto em Goiânia no mês de maio, recebeu nesta sexta-feira (29) o título póstumo de mestra em tecnologia de processos sustentáveis. A dissertação dela, que já estava finalizada, foi apresentada por um amigo, no Instituto Federal de Goiás (IFG). O rapaz foi embora em seguida e não falou com a imprensa.

Além da formação em direito, Laís também já havia concluído o curso técnico em saneamento ambiental pelo IFG. A dissertação "Índices indicadores socioeconômicos, científicos e tecnológicos como parâmetros para modelo de previsão" demorou dois anos e meio para ser finalizada.
Laís Fernanda Araújo Silva foi morta enquanto tentava estacionar carro, em Goiânia (Foto: Facebook/Reprodução)Laís Fernanda Araújo Silva foi morta enquanto tentava estacionar carro, em Goiânia (Foto: Facebook/Reprodução)
Laís Fernanda Araújo Silva foi morta enquanto tentava estacionar carro, em Goiânia (Foto: Facebook/Reprodução)
O orientador dela, Wesley Pacheco Calixto, participou via videoconferência do Canadá e se emocionou ao falar da aluna.
"Ela teve um pouco de dificuldade em conciliar as áreas do direito e de saneamento básico, mas conseguiu. Ela era mais que uma aluna. [Era] uma filha, uma amiga”, disse, com voz embargada.
O docente está no Canadá para um pós-doutorado. “É muito difícil esse momento. Deixo aqui uma frase que a representava: 'Quando se está inspirado em um propósito, todos os pensamentos rompem limites'."
O professor universitário e orientador da advogada morta em assalto, Wesley Pacheco Calixto, participando da defesa de mestrado via videoconferência do Canadá  (Foto: Sílvio Túlio/G1)O professor universitário e orientador da advogada morta em assalto, Wesley Pacheco Calixto, participando da defesa de mestrado via videoconferência do Canadá  (Foto: Sílvio Túlio/G1)
O professor universitário e orientador da advogada morta em assalto, Wesley Pacheco Calixto, participando da defesa de mestrado via videoconferência do Canadá (Foto: Sílvio Túlio/G1)

Após a apresentação, o trabalho foi avaliado pela banca e aprovado. Em seguida, os pais dela, João Carlos da Silva e Odete Mary Ferreira de Araújo, bastante emocionados, receberam o diploma de mestrado da filha, uma placa e flores. Eles não quiseram falar com a imprensa.
Antes de fazer a entrega do diploma, o reitor do IFG, Jerônimo Rodrigues da Silva, elogiou o trabalho de LaÍs enquanto acadêmica e afirmou que sua obra ficará para a posteridade.
"A história de LaÍs, vista por colegas e professores, tem exemplos de amizade, competência, carinho e respeito. Nessa rápida história, as marcas ficarão para sempre", pontuou.
Diploma que confere à advogada Laís Fernanda Araújo Silva, morta em assalto em Goiânia, título póstumo de mestra em tecnologia de processos sustentáveis (Foto: Sílvio Túlio/G1)Diploma que confere à advogada Laís Fernanda Araújo Silva, morta em assalto em Goiânia, título póstumo de mestra em tecnologia de processos sustentáveis (Foto: Sílvio Túlio/G1)
Diploma que confere à advogada Laís Fernanda Araújo Silva, morta em assalto em Goiânia, título póstumo de mestra em tecnologia de processos sustentáveis (Foto: Sílvio Túlio/G1)

Liberação para a apresentação póstuma

A ideia da apresentação póstuma foi da professora e amiga Fernanda Nora, que presidiu a banca avaliadora. Ela, que leciona na Universidade Federal de Goiás (UFG), contatou o IFG para buscar a possibilidade da apresentação da tese. Ela afirma que conseguiu junto ao Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) a autorização para o procedimento.
"A minha ideia era fazer com o que o trabalho dela não morresse. Ela fez a qualificação para o mestrado em maio e faltavam pequenos ajustes. O mestrado era parte do trabalho dela de realizar dois sonhos: ser juíza e lecionar no âmbito universitário", afirma.
A professora Fernanda Nora, que era amiga da advogada Laís Fernanda Araújo Silva e propôs defesa póstuma de dissertação de mestrado (Foto: Sílvio Túlio/G1)
A professora Fernanda Nora, que era amiga da advogada Laís Fernanda Araújo Silva e propôs defesa póstuma de dissertação de mestrado (Foto: Sílvio Túlio/G1)
Em nota, a Capes disse o inciso VI do art.53 da lei n° 9.394/1996, que fala sobre autonomia universitária, permite às instituições de ensino superior concederem titulações simbólicas para homenagear alunos.
"Primeiramente, cabe mencionar que neste caso estamos tratando de direito personalíssimo. Sabe-se que os direitos da personalidade são aqueles comuns da existência, sendo simples permissões dadas pela norma jurídica a cada pessoa, de defender um bem que é seu por natureza, de forma primordial e direta; portanto são intransmissíveis", afirmou a instituição em nota.
"Portanto, não coube e não cabe à Capes 'autorizar a defesa', já que o artigo citado acima assegura a autonomia universitária, transferindo tal responsabilidade de autorização aos dirigentes da instituição de ensino", completou.
A entidade disse ainda se solidarizar com a situação e disse desejar "sinceras condolências" à família de Laís.
Pais da advogada Laís Fernanda Araújo Silva, morta em assalto em Goiânia, acompanham defesa póstuma da dissertação dela de mestrado  (Foto: Sílvio Túlio/G1)Pais da advogada Laís Fernanda Araújo Silva, morta em assalto em Goiânia, acompanham defesa póstuma da dissertação dela de mestrado  (Foto: Sílvio Túlio/G1)
Pais da advogada Laís Fernanda Araújo Silva, morta em assalto em Goiânia, acompanham defesa póstuma da dissertação dela de mestrado (Foto: Sílvio Túlio/G1)

Histórico

A advogada foi morta a tiros enquanto tentava estacionar o carro no setor Alto da Glória, na região sul da capital, no último dia 10 de maio. Imagens de câmeras de segurança mostraram o momento em que suspeitos do crime entravam em um carro após os tiros.
Quatro pessoas foram detidas, dois adolescentes de 14 e 16 anos, uma mulher e um homem. O mais novos deles adolescente contou à Polícia Militar que atirou na vítima durante a abordagem.
Advogada é morta a tiros dentro de carro enquanto tentava estacionar, em Goiânia
“Estava dando uma volta para ver se achávamos uma vítima. Vimos o carro dela, pensamos que tina uma mulher e um homem. Eu passei do lado dela e ela continuou mexendo no celular. Voltamos e eu já enquadrei ela, peguei a maçaneta, abri a porta, ela assustou e eu efetuei o disparo”, disse.
Fonte:G1

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