sábado, 21 de outubro de 2017

Conheça o plano da Coreia do Norte para criar um grande polo turístico com investimento estrangeiro

Por Ju-min Park e James Pearson

Crianças brincam na praia no Songdowon International Children's Camp, na cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, em foto não datada divulgada pela agência KCNA (Foto: KCNA/via Reuters )
Crianças brincam na praia no Songdowon International Children's Camp, na cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, em foto não datada divulgada pela agência KCNA (Foto: KCNA/via Reuters )

Na cidade litorânea de Wonsan, famílias norte-coreanas assam churrasco na praia, vão pescar e tomam sorvetes no verão. Para seu líder Kim Jong-un, o resort é um refúgio de verão, um futuro templo turístico e um bom lugar para testar mísseis.

Ele está reconstruindo a cidade de 360 mil habitantes e quer transformá-la em um polo turístico bilionário. Ao mesmo tempo, lançou quase 40 mísseis da região, como parte de seus testes acelerados da dissuasão nuclear da Coreia do Norte.
“Pode parecer maluco para quem é de fora disparar mísseis de um lugar que ele quer desenvolver economicamente, mas é assim que Kim Jong-un administra seu país”, diz Lim Eul-chul, especialista em economia norte-coreana na Kyungnam University, na Coreia do Sul.
A combinação de turismo e armas nucleares é emblemática para a estratégia de sobrevivência de Kim Jong-un, dizem pesquisadores e pessoas familiarizadas com o projeto.
Os planos da Coreia do Norte para Wonsan cresceram desde que foram anunciados pela primeira vez em 2014. Examinados aqui em detalhes pela primeira vez, eles são descritos em 160 páginas em quase 30 cadernos produzidos pela Corporação de Desenvolvimento da Zona de Wonsan em coreano, chinês, russo e inglês em 2015 e 2016.
Turismo é uma das cada vez menores fontes de dinheiro norte-coreanas não atingidas pelas sanções das Nações Unidas, e os cadernos anunciam para investidores estrangeiros cerca de US$ 1,5 bilhão em potenciais empreendimentos na Zona Turística Especial de Wonsan, uma área cobrindo mais de 400 km quadrados. Kim já construiu um novo resort de esqui e um novo aeroporto lá.

 (Foto: Arte/G1)
(Foto: Arte/G1)

Segundo um dos cadernos, a zona inclui aproximadamente 140 relíquias históricas, dez praias de areia, 680 atrações turísticas, quatro fontes de águas minerais, diversos resorts de banhos e lagos naturais e “mais de 3,3 toneladas de lamas com propriedades terapêuticas contra neuralgia e colite”.
O projeto ao qual Kim está convidando investidores a ajudar a construir inclui uma loja de departamentos de US$ 7,3 milhões, obras de desenvolvimento no centro da cidade no valor de US$ 197 milhões e um campo de golfe de US$ 123 milhões (incluindo uma taxa de US$ 62,5 milhões para alugar a terra).
No início deste ano Kim enviou 16 representantes à Espanha para coletar ideias para Wonsan. Eles visitaram Marina d’Or, um dos maiores complexos de férias do país mediterrâneo, e o parque Terra Mitica em Benidorm. Terra Mitica atende aos fãs "de sensações extremas", de acordo com seu site.

Uma família constrói castelos de areia na praia no Songdowon International Children's Camp, na cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, em foto não datada divulgada pela agência KCNA (Foto: KCNA/via Reuters )
Uma família constrói castelos de areia na praia no Songdowon International Children's Camp, na cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, em foto não datada divulgada pela agência KCNA (Foto: KCNA/via Reuters )
“Eles viram esses lugares com seus próprios olhos e filmaram alguns deles”, disse um porta-voz na embaixada norte-coreana em Madri. Ambos os parques confirmaram as visitas; uma porta-voz do Terra Mitica disse que os norte-coreanos ficaram impressionados por seus temas, incluindo as antigas civilizações do Egito, Grécia e Roma.
Nenhum grande parceiro estrangeiro disse que irá apoiar os projetos de Kim para Wonsan. O novo aeroporto, concluído em 2015, ainda não abriu para voos internacionais. Os EUA recentemente proibiram seus cidadãos de visitarem a Coreia do Norte. Sanções internacionais agora banem todos os empreendimentos conjuntos com o país.
Ainda assim, o plano é estrategicamente vital para Kim, dizem ex-diplomatas norte-coreanos. Quando ele assumiu o poder, em 2011, ele herdou uma sociedade oficialmente administrada pelos militares, mas aquelas pessoas sobreviviam amplamente por transações no mercado negro. No papel, a Coreia do Norte é uma economia estatal; mas na verdade, sete a cada 10 norte-coreanos dependem do comércio privado para viver, segundo Thae Yong Ho, que foi vice-embaixador da Coreia do Norte em Londres e desertou com sua família em 2016.
Kim é visto pelas pessoas de fora como todo poderoso, mas os comerciantes livres da Coreia do Norte o tornam mais vulnerável do que parece, disse Thae à Reuters. O líder está procurando uma maneira de aproveitar forças militares e de mercado para sobreviver.
Armas nucleares são uma parte de sua resposta – porque Kim espera que elas custarão menos para serem mantidas do que as tradicionais armas pesadas norte-coreanas.

Jovem carrega compras em bicicleta na cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, em foto de outubro de 2016  (Foto: Christian Peterson-Clausen/Handout via Reuters)
Jovem carrega compras em bicicleta na cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, em foto de outubro de 2016 (Foto: Christian Peterson-Clausen/Handout via Reuters)
Projetos como Wonsan são a outra parte. Ele quer cortar parte dos fundos que dá aos militares e alocar mais dinheiro na economia civil.
“Kim Jong-un sabe que ele só pode controlar a sociedade e garantir sua longa liderança se seu papel e influência na economia forem ampliados”, diz Thae.

Amigáveis

A Coreia do Norte quer atrair mais de 1 milhão de turistas por ano em curto prazo e cerca de 5 a 10 milhões “em um futuro previsível”, dizem os cadernos sobre Wonsan. A Corporação de Desenvolvimento da Zona de Wonsan, o órgão estatal que supervisiona o projeto, não respondeu aos pedidos de comentários.
Não há estatísticas atualizadas sobre o número de visitantes da Coreia do Norte. A China diz que mais de 237 mil chineses estiveram no país em 2012, mas parou de publicar seus dados em 2013. Em comparação, 8 milhões de chineses visitaram a Coreia do Sul em 2016.
O Korea Maritime Institute, uma organização no sul, estima que o turismo gera cerca de US$ 44 milhões em lucros anuais para a Coreia do Norte – cerca de 0,8% do PIB do país. Aproximadamente 80% de todos os turistas estrangeiros na Coreia do Norte são chineses. Ocidentais e russos correspondem ao resto.

O centro da cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, é visto da janela de um hotel em foto de outubro de 2016 (Foto: Christian Peterson-Clausen/Handout via Reuters)
O centro da cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, é visto da janela de um hotel em foto de outubro de 2016 (Foto: Christian Peterson-Clausen/Handout via Reuters)
Os cadernos sobre Wonsan são acolhedores. “Funcionários e moradores dessa zona têm uma boa compreensão sobre o turismo e são amigáveis em relação aos turistas”, diz um deles.
Os textos também revelam alguns detalhes incomuns sobre os hábitos de férias no regime totalitário.
Não distante do proposto campo de golfe de US$ 123 milhões, os planos mostram um complexo já existente. Ele é nomeado no caderno como o retiro de verão do Departamento de Segurança do Estado ou “Bowibu” – a entidade que comanda os seis campos de prisão da Coreia do Norte e conduz a vigilância nacional de cidadãos comuns.
Bem ao lado dessa propriedade à beira-mar, o Daesong General Bureau, que adquire bens de luxo para a família Kim, tem seu endereço.
Um terceiro complexo é reservado para a Corporação Coreana de Seguros Nacionais, uma companhia seguradora estatal que a União Europeia diz estar envolvida em fraudes fiscais.
Todas as três entidades são alvos de sanções internacionais por seus papeis em canalizar dinheiro para os programas nuclear e de mísseis de Kim.

A baia da cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, é vista da janela de um hotel em foto de outubro de 2016 (Foto: Christian Peterson-Clausen/Handout via Reuters)
A baia da cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, é vista da janela de um hotel em foto de outubro de 2016 (Foto: Christian Peterson-Clausen/Handout via Reuters)
Para as forças de segurança de Kim, no entanto, Wonsan é mais do que diversão ao sol.
Kim levou seus principais superiores militares a Wonsan em 2014. Na praia de areia branca do complexo de seu palácio, ordenou que seus maiores almirantes vestissem trajes de banho e, como teste de habilidade, nadassem 10 km ao redor da baia, com imagens transmitidas pela TV estatal. Ele foi filmado em uma mesa na areia, coberto por um guarda-sol branco.
Em abril deste ano, Kim usou a praia perto do novo aeroporto de Wonsan para lançar um teste de artilharia descrito pela mídia estatal como o maior do país em todos os tempos. Nele, “300 armas autopropulsionadas de grande calibre" abriram fogo contra um alvo branco pintado em uma pequena ilha a 3 km de distância.
O bombardeio, exibido na TV estatal, transformou aquela ilha em uma nuvem empoeirada.

Flores de plástico

Wonsan detém um poder simbólico para a dinastia Kim: foi lá que o avô de Kim Jong-un, Kim Il Sung, que ajudou a fundar a Coreia do Norte ao final do comando colonial japonês em 1945, chegou primeiro com as tropas soviéticas para tomar o país.
Estátuas dos dois ex-líderes da Coreia do Norte ficam no cais, onde turistas se curvam e depositam flores de plástico. Ao lado do palácio da família Kim, o Campo Infantil Songdowon recebeu “jovens pioneiros” de países apoiados pelos soviéticos durante décadas, segundo a mídia estatal.

O líder norte-coreano Kim Jong-un visita o Songdowon International Children's Camp, na cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, em foto não datada divulgada pela agência KCNA em 2014 (Foto: KCNA/via Reuters )
O líder norte-coreano Kim Jong-un visita o Songdowon International Children's Camp, na cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, em foto não datada divulgada pela agência KCNA em 2014 (Foto: KCNA/via Reuters )
Quando o jovem Kim foi escolhido como herdeiro de Kim Jong Il em 2009, ele tinha poucas realizações, destaca Kim Young-Hui, que comanda uma equipe de pesquisadores sobre Coreia do Norte no Banco de Desenvolvimento da Coreia, na Coreia do Sul. Se ele conseguir desenvolver Wonsan – o lugar onde seu avô ajudou a fazer a Coreia do Norte existir – isso selará sua imagem como um mestre construtor.
“Ele tem fortes razões políticas para desenvolver Wonsan”, diz ela, uma nativa da cidade que desertou para a Coreia do Sul em 2002.
Pessoas de Wonsan, mesmo aquelas que desertaram, dizem ter memórias muito felizes do lugar. Os bares e clubes de bilhar de Wonsan têm um abastecimento de energia mais confiável do que a maior parte do país, dizem. Eles se lembram de jovens casais patinando em uma grande praça perto da fonte de Wonsan.
A cidade tem esse lugar especial no coração de Kim, diz Michael Spavor, um consultor canadense que compartilhou chás gelados com o líder a bordo de um seus barcos particulares em 2013, depois de eles andarem de moto aquática na baía.
“Ele me falou sobre... redesenvolver e melhorar a cidade para seu povo e... atrair turistas internacionais e empresários para a área”, diz Spavor, que dirige o Paektu Cultural Exchange, que conduz pesquisas econômicas na Coréia do Norte.

‘Sem apertar o cinto’

A história oficial não revela onde Kim nasceu, mas muitas pessoas de Wonsan acreditam que foi ali, em parte porque ele passou seus primeiros anos de vida no palácio.
Uma anedota da época fala da vida dentro da residência da família Kim. Um dia, um chef japonês da família, Kenji Fujimoto, contou em suas memórias, o futuro líder fez um pedido incomum.

O líder norte-coreano Kim Jong-un visita o Songdowon International Children's Camp, na cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, em foto não datada divulgada pela agência KCNA em 2014 (Foto: KCNA/via Reuters )
O líder norte-coreano Kim Jong-un visita o Songdowon International Children's Camp, na cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, em foto não datada divulgada pela agência KCNA em 2014 (Foto: KCNA/via Reuters )
“Ei, Fujimoto!”, disse um jovem Kim ao chef. “Nós andamos a cavalo todos os dias, patinamos, jogamos basquete e no verão andamos de esqui ou brincamos na piscina. Mas como vivem as pessoas comuns?” Fujimoto, que publicou o livro em 2010, agora administra um restaurante de sushi em Pyongyang e não foi localizado.
Durante anos sob o comando de Kim Jong Il, a Coreia do Norte, apoiada pela União Soviética e pela China, oficialmente forneceu tudo para seu povo.
O modelo político era então conhecido como “songun” – militares primeiro, que assegurava que o Exército do Povo Coreano era sempre o primeiro da fila para recursos e o provedor infalível para resolver os problemas econômicos do país. O “exército de um milhão de homens” trocaria Kalashnikovs por pás e construiria estradas, represas e casas.
Após o colapso da União Soviética, nos anos 1990, a nação inteira, então com 21 milhões de pessoas, sofreu uma crise de fome que Kim Jong Il eventualmente chamaria de “Marcha Árdua”. O estado não era mais capaz de providenciar comida ou trabalho. Entre 200 mil e 3 milhões de pessoas morreram.
Para sobreviver, pessoas comuns foram forçadas a olhar além das fileiras condecoradas exibidas nos desfiles, e revirar restos de mercados privados, subornando oficiais para fechar os olhos a qualquer ilegalidade. Para a maioria das pessoas – incluindo os militares – era fome ou comércio.

O líder norte-coreano Kim Jong-un visita o Berçário e Orfanato de Wonsan, na cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, em foto não datada divulgada pela agência KCNA em junho de 2015 (Foto: KCNA/via Reuters )
O líder norte-coreano Kim Jong-un visita o Berçário e Orfanato de Wonsan, na cidade de Wonsan, na Coreia do Norte, em foto não datada divulgada pela agência KCNA em junho de 2015 (Foto: KCNA/via Reuters )
Quando o Kim mais jovem chegou ao poder, ele disse que havia chegado a hora de “garantir ao nosso povo... viver sem ter mais que apertar os cintos”.
Em 2013, ele mudou a retórica política. Sua linha política, chamada "byungjin", ou desenvolvimento paralelo, endureceu a da era de seu avô. Ela também assinalou o avanço simultâneo do programa nuclear da Coreia do Norte e de uma economia forte.

Fazendo dinheiro em Wonsan

Os últimos dados disponíveis apontam que a Coreia do Norte investe uma porcentagem maior de seu PIB em militarismo do que qualquer outro país no mundo – uma média de 23% entre 2004 e 2014, segundo o Departamento de Estado dos EUA.
Os cadernos sobre Wonsan prometem lucros saudáveis, incluindo taxas internas de retorno entre 14% e 43%. A Loja de Departamentos Wonsan de US$ 7,3 milhões, por exemplo, permite a investidores estrangeiros manter uma participação de até 61,3%. Em retorno, dizem, os investidores podem esperar um lucro anual de US$ 1,3 milhão.
Os cadernos oferecem condições preferenciais a investidores estrangeiros, dizendo que seus direitos são protegidos pelo Estado e que eles podem remeter fundos para o exterior sem limitações. Terras estão disponíveis para serem alugadas, não compradas, por 50 anos, mas os investidores podem negociar os aluguéis.

Estátuas dos antigos líderes norte-coreanos Kim Il Sung e Kim Jong Il, avô e pai de Kim Jong-um, são vistas na cidade de Wonsan em foto de outubro de 2016 (Foto: Christian Peterson-Clausen/Handout via Reuters)
Estátuas dos antigos líderes norte-coreanos Kim Il Sung e Kim Jong Il, avô e pai de Kim Jong-um, são vistas na cidade de Wonsan em foto de outubro de 2016 (Foto: Christian Peterson-Clausen/Handout via Reuters)
Alguns dos projetos são menos generosos. Um oferece a oportunidade de lucrar com a popularidade da cerveja norte-coreana com um investimento inicial de US$ 2,4 milhões em uma nova Cervejaria Wonsan. A proposta diz que investidores estrangeiros estarão sujeitos a um imposto de transação de 15%, um imposto de gestão municipal, um imposto automóvel, mais outras deduções. Então há um imposto de renda de 14%. Essas deduções irão reduzir o lucro anual projetado para US$ 154.711.
Para investidores domésticos a Coreia do Norte oficialmente não tem impostos, mas especialistas dizem que o estado arrecada fundos coletando cerca de 70% dos lucros de empresas estatais.
Algumas das propostas expandem a ideia de turismo. Elas incluem uma Fazenda Marítima para produzir frutos do mar “de grande valor econômico industrial, para satisfazer as demandas de turistas e exportar os produtos ao mercado estrangeiro”, uma fábrica de luminárias, uma de móveis, e uma renovada fábrica de apetrechos de pesca. Sua produção incluirá 10 mil flutuadores, 750 toneladas de cordas e 2.500 “coletes salva-vidas para natação”.
Desde que os planos foram elaborados, as Nações Unidas ampliaram as sanções à Coreia do Norte para incluir um banimento à exportação de frutos do mar e barreiras a joint ventures.
Segundo um caderno de 2015, o interesse de investimento estrangeiro no projeto de Wonsan estava “crescendo a cada dia”.
Avião é visto no Wonsan Air Festival 2016, em foto não datada divulgada pela agência KCNA em setembro de 2016 (Foto: KCNA/via Reuters )
Avião é visto no Wonsan Air Festival 2016, em foto não datada divulgada pela agência KCNA em setembro de 2016 (Foto: KCNA/via Reuters )
Mas um ocidental que participou de uma conferência de investimento em Wonsan em 2015 disse que funcionários norte-coreanos demonstraram pouca compreensão das necessidades dos investidores. Cerca de 200 pessoas, chineses e ocidentais, ouviram sobre prospectos de investimentos na região e foram levadas a um tour pela área.
“Pensei que testemunharia algum pragmatismo real”, disse Simon Cockerell, da Koryo Tours, sediada em Beijing. “Mas eles simplesmente falaram sobre como as oportunidades eram maravilhosas e não admitiam as fraquezas ou que havia qualquer problema com a região ou com algum de seus planos”.
Han Jin-myung, um diplomata norte-coreano que serviu no Vietnã até 2015, quando desertou para a Coreia do Sul, disse que recebeu a tarefa de promover o plano de Wonsan no exterior e teve pouco sucesso: “Em vez disso acabamos apenas vendendo ervas e remédios norte-coreanos”.

Turista baleada

O resort de Wonsan não é a primeira tentativa da Coreia do Norte de misturar militarismo e turismo. Em 1998, no início do comando do pai de Kim Jong-un, Seul e Pyongyang concordaram em abrir parte da atual zona de Wonsan, chamada Monte Kumgang, a turistas. O projeto era um símbolo de cooperação e uma fonte de moeda forte para o Norte.
Sulistas faziam caminhadas no terreno rural norte-coreano. Quase dois milhões de sul-coreanos visitaram o local ao longo de uma década, segundo dados do governo sul-coreano.
Mas em 2008, nas primeiras horas da manhã de julho, um soldado norte-coreano matou a tiros uma sul-coreana de 53 anos que tinha cruzado uma linha proibida dentro de uma área militar.
Oficiais norte-coreanos disseram ao Sul que seus soldados gritaram advertências, mas que a turista não atendeu mesmo depois que eles dispararam tiros de alerta.
A Coreia do Sul suspendeu todas as visitas. Empresários que mantinham lojas de lembranças e restaurantes na zona perderam seus bens para a Coreia do Norte.
Seul exigiu uma investigação, um pedido de desculpas do Norte e garantias de que aquilço não aconteceria novamente. Pyongyang recusou e ameaçou encerrar os direitos exclusivos das companhias sul-coreanas de realizar passeios.
Lee Jong-heung, que mantinha uma cervejaria, um restaurante e uma loja duty free, diz que investiu cerca de US$ 6 milhões em Kumgang. Ele foi ao local em 2013, e disse ter descoberto que o Norte estava “administrando as lojas, minhas lojas, para turistas da China e Hong Kong... foi um absurdo”.
O Ministério da Unificação da Coreia do Sul diz que garantias de segurança para sul-coreanos estão entre as mudanças necessárias antes de reconsiderar reiniciar as visitas.


Fonte:G1 e BBC Brasil

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