domingo, 6 de agosto de 2017

Live ganha 'segunda vida' no Lolla Chicago com vocalista de volta após 8 anos

Por Rodrigo Ortega

A banda Live retorna aos grandes festivais, com show no Lollapalooza, em Chicago (EUA) (Foto: Divulgação/Max Herman)
A banda Live retorna aos grandes festivais, com show no Lollapalooza, em Chicago (EUA) (Foto: Divulgação/Max Herman)

O Live fez um show deslocado em sua primeira grande cartada para emplacar a volta com formação original após oito anos na noite deste sábado (5), no Lollapalooza Chicago. Foi uma aposta isolada na nostalgia dos anos 90 entre fãs de estrelas mais jovens nesta edição do festival.

A banda de 1984, que bombou no auge do rock alternativo dos 90, é a mais velhinha das atrações de 2017. O fato de eles serem parte justamente da geração que deu à luz o Lollapalooza há 26 anos mostra como o tempo é implacável.
Eles tocaram em um palco pequeno, que não tem nem telão, e devem ter reunido todos os presentes com mais de 30 anos entre os 100 mil presentes neste sábado (não mais que 5% deles). Antigos fãs se esbaldaram, mesmo assim.

Tributo a si mesmo

Todo o esforço no palco era para parecer que o tempo tinha parado em 1997. O messiânico Ed Kowalczyk continua olhando para o céu do mesmo jeitinho quando canta “Operation spirit”, mas a voz está mais rouca e menos potente.
Ele diz no palco que está cansado das notícias ruins na TV. Fala da importância da música para unir as pessoas. Tenta dar um ar contemporâneo às suas canções meio espirituais - o maior hit, “Lightning crashes", por exemplo, sobre o parto de um anjo.
Não que os fãs que buscavam recordar outros sucessos como “I alone” tenham algo a reclamar. Mas o espectador isentão precisa de algo mais para acreditar que este retorno vire algo além de um tributo a si mesmo.

Live se apresenta no Lollapalooza EUA 2017 (Foto: Divulgação/Max Herman)
Live se apresenta no Lollapalooza EUA 2017 (Foto: Divulgação/Max Herman)

Por que parou?

A briga de Kowalczyk com os colegas em 2009 foi tão feia que era difícil esperar vê-los juntos num Lolla 2017. A banda processou o ex-vocalista pelo uso da marca e das músicas e o ridicularizou por exigir um “bônus de vocalista” de US$ 100 mil nos shows finais.
Em 2011, quando veio ao Brasil com o disco solo “Alive” (clara provocação ao ex-grupo com uma letra a menos), o cantor dizia que o Live era um “capítulo que já passou” na sua vida. Triste para amigos desde o jardim de infância que aprenderam a tocar juntos na isolada York, Pensilvânia, longe do "glamour" de Seattle.
“Alive” teve pouca repercussão, exceto por um prêmio de pior capa do ano de 2010. Na foto, ele parece defecar no mato. O site Pitchfork pegou pesado ao dizer que a imagem mostrava como “Alive” foi produzido.
O resto da banda não teve mais sorte ao tentar continuar com outro vocalista, Chris Shinn. Chegaram a lançar um disco em 2014, mas o Live sem o rosto e a careca de Ed Kowalczyk não vingou, claro.

Voltou por quê?

Eles terminaram o show no Lolla abraçadinhos. A história que Ed e o guitarrista Chad Taylor contaram à revista “Rolling Stone” é que eles deram o braço a torcer, foram tomar uma cerveja em York e foram curando as “velhas feridas”. Agora estão escrevendo e gravando músicas novas.
Eles fizeram shows em festivais menores e ainda continuarão a tocar após o Lollapalooza. Talvez em shows solo ou outros eventos mais tiozão-friendly a banda se dê melhor. E, quem sabe, com disco novo ganhem algum frescor.
Por enquanto, é aquele clima pouco empolgante de inúmeras reuniões de bandas de rock dos anos 90. O Live nunca foi a banda mais inovadora da época - dá para ver o reflexo do R.E.M. no som e em cada fio de cabelo ausente em Kowalczyk. Mas não dá para negar que sabiam fazer música cativante e têm potencial para um retorno mais poderoso.

Fonte:G1

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