quarta-feira, 9 de agosto de 2017

IML diz que bebê que morreu em creche de Campinas foi sufocada por alimento



O Instituto Médico Legal (IML) de Campinas (SP) apontou que a bebê de 4 meses que morreu após passar mal no 1º dia de aula em uma escola particular foi vítima de sufocamento por alimento. A declaração de óbito emitida nesta quarta-feira (9) destaca que ocorreu uma "broncoaspiração maciça por alimento na creche". A família registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil como "morte suspeita" e o caso será encaminhado para o 1º Distrito Policial de Campinas.

"O termo 'maciça' indica que o volume do alimento foi muito grande. Houve uma sufocação total", destaca Edvaldo Messias Barros, diretor do Instituto de Criminalística (IC).
Segundo o tio da bebê, o técnico de enfermagem Devair Maciel, a escola Casinha do Saber só informou à mãe que a menina não tinha mamado mamadeira. De acordo com Maciel, Emanuelle Calheiros Maciel deveria usar um travesseiro antirrefluxo, que não estava no berço quando a mãe chegou.
Bebê morreu no primeiro dia em que foi levada para creche particular em Campinas  (Foto: Devair Maciel / Arquivo pessoal)Bebê morreu no primeiro dia em que foi levada para creche particular em Campinas  (Foto: Devair Maciel / Arquivo pessoal)
Bebê morreu no primeiro dia em que foi levada para creche particular em Campinas (Foto: Devair Maciel / Arquivo pessoal)
O corpo de Emanuelle será enterrado nesta quinta-feira (10) no Cemitério Municipal João Rodrigues, em Paulínia (SP).

Sem alvará

A Prefeitura de Campinas (SP) informou na manhã desta quarta (9) que a escola não possui alvará de funcionamento. Um fiscal esteve na creche Casinha do Saber à tarde e notificou a empresa para dar entrada na documentação de regularização da situação junto ao município.
De acordo com a Prefeitura, a escola tem três dias úteis para protocolar a documentação. Caso o procedimento não ocorra até as 17h da próxima segunda-feira (14), a Casinha do Saber pode ser multada e intimada a encerrar as atividades. A creche também não possui o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).
Na manhã desta quarta (9), a advogada da escola, Juliana Beatriz de Souza Pereira, informou que aguardaria o laudo para se posicionar a respeito do que aconteceu. 


Foto enviada pela escola mostra funcionária da creche em Campinas colocando bebê para dormir (Foto: Devair Maciel / Arquivo pessoal)
Foto enviada pela escola mostra funcionária da creche em Campinas colocando bebê para dormir (Foto: Devair Maciel / Arquivo pessoal)

'Sono profundo'

Segundo o tio da bebê, a mãe deixou a bebê na creche às 13h de terça-feira (8) para o primeiro dia. A escola fica no Centro de Campinas (SP). O combinado é que a mãe voltaria às 15h para buscá-la. Às 14h, a escola enviou uma mensagem para a mãe informando que ela passava bem.
"Tia está fazendo ela dormir. Está bem, mamãe", diz a mensagem enviada para o telefone celular da mãe, acompanhada de uma foto. Na imagem, uma das funcionárias segura a criança no espaço onde ficam os berços da creche.
Quando a mãe, que trabalha próximo à escola, retornou para buscar a bebê às 15h, a criança já estava roxa, segundo Devair.

"Disseram pra ela: 'Mãe, ela está dormindo num sono muito profundo. É assim mesmo?' A mãe correu pra ver e a criança estava roxa. O corpo estava quente ainda. Ficaram mais ou menos 10 minutos depois disso e não conseguriam fazer nada. Ficaram perdidos balançando a criança", conta o tio.
Escola Casinha do Saber, no Centro de Campinas (Foto: Felipe Boldrini / EPTV)Escola Casinha do Saber, no Centro de Campinas (Foto: Felipe Boldrini / EPTV)
Escola Casinha do Saber, no Centro de Campinas (Foto: Felipe Boldrini / EPTV)

A pé para o hospital

Segundo ele, a escola não conseguiu chamar uma ambulância e a mãe e a bebê, acompanhadas de uma funcionária da escola, foram a pé para o hospital mais próximos, Casa de Saúde, que fica a duas quadras da creche.
"Chegou no hospital, os médicos tentaram de tudo, mas já estava em óbito. [...] A escola não fez nada, não ajudou em nada, não se colocou à disposição pra nada. Só pediram pra gente: 'me preocupo em sujar o nome da escola'" conta Devair.
Em nota, a Casa de Saúde de Campinas informou que a bebê deu entrada no hospital já em estado grave. "Esclarecemos que foram adotados todos os procedimentos e protocolos médicos e de enfermagem indicados para a gravidade do quadro que se apresentava, inclusive por meio de tentativas de reanimação, sem sucesso."



Fonte:G1

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