domingo, 16 de julho de 2017

Ao lado de Netanyahu, Macron defende retomada do diálogo entre israelenses e palestinos

Presidente francês, Emmanuel Macron, e premiê israelense, Benjamin Netanyahu, neste domingo (16), no Palácio do Eliseu, em Paris (Foto: Stephane Mahe/AFP)
Presidente francês, Emmanuel Macron, e premiê israelense, Benjamin Netanyahu, neste domingo (16), no Palácio do Eliseu, em Paris (Foto: Stephane Mahe/AFP)
O presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reuniram-se neste domingo (16) no Palácio do Eliseu, em Paris.
O presidente francês pediu, após o encontro, a retomada das negociações entre israelenses e palestinos com o objetivo de encontrar uma solução para a região com a presença de dois Estados – um palestino e um israelense.
"A França está pronta para apoiar todos os esforços diplomáticos neste sentido", acrescentou o chefe de Estado, para quem Israel e palestinos devem poder "viver lado a lado em fronteiras seguras e reconhecidas, com Jerusalém como a capital", segundo a France Presse.
Ele também mencionou e criticou implicitamente a colonização israelense nos territórios palestinos, evocando o respeito ao "direito internacional".
Macron recebeu recentemente o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas. Nesta ocasião ele também reiterou o apoio à solução de dois Estados e condenou a construção de assentamentos israelenses em territórios palestinos ocupados.
As negociações entre israelenses e palestinos estão paradas desde o fracasso da mediação dos Estados Unidos na primavera de 2014. E a ameaça de uma conflagração do conflito paira permanentemente.

Irã

O programa nuclear iraniano de 2015 também esteve em pauta. Macron prometeu "vigilância" sobre o respeito do acordo nuclear e disse compartilhar "as preocupações israelenses sobre o armamento do Hezbollah", o movimento xiita libanês apoiado por Teerã.
O Irã, inimigo de Israel na região, efetuou em junho o seu primeiro tiro de míssil em território estrangeiro contra alvos do grupo Estado Islâmico na Síria.

Deportação de judeus

Netanyahu participou pela primeira vez neste domingo (16) da cerimônia da chamada "rafle du Vel' d'Hiv'" (ataque ao velódromo de inverno), que levou à deportação de judeus sob as ordens do governo colaboracionista francês em julho de 1942. Este é um dos episódios mais obscuros da história francesa.
Em francês, Netanyahu agradeceu o convite de Macron como um "gesto muito, muito forte", que "testemunha a amizade antiga e profunda entre a França e Israel".
Por sua vez, Macron ressaltou sua intenção de "perpetuar o gesto feito em 1995 por Jacques Chirac", primeiro presidente a reconhecer a responsabilidade da França neste evento.
O presidente afirmou que "foi a França que organizou a rafle" e que o regime de Vichy, "apesar de não representar todos os franceses, era o governo da França" naquele momento.
Nos dias 16 e 17 de julho de 1942, 13.152 judeus foram detidos em Paris e seus subúrbios por 9.000 policiais e gendarmes franceses destacados para a operação.
Detidos em condições desumanas durante quatro dias, foram colocados no Velódromo de inverno (demolido em 1959), antes de serem levados aos campos de Loiret. Lá, 3.000 crianças foram brutalmente separadas de seus pais, deportados para Auschwitz.
Menos de 100 pessoas - e nenhuma criança - sobreviveram.
Emmanuel Macron recordou na cerimônia a importância do combate ao antissemitismo e afirmou: "não vamos ceder ao antissionismo", que é a forma "de reinventar o antissemitismo".
Netanyahu elogiou a "determinação" de seu anfitrião para combater o antissemitismo, e disse estar convencido de que a França "tem um potencial enorme".
A vinda do chefe de governo israelense provocou críticas, com alguns denunciando uma "instrumentalização dos judeus franceses".

Fonte:AFP e G1

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